Brasil quadruplica número de localidades mapeadas, revela IBGE
O salto, que quadruplica o volume anterior, abrange cidades, vilas, povoados, núcleos urbanos e rurais, lugarejos, além de comunidades indígenas, quilombolas e agrovilas de assentamentos. Segundo o IBGE, a ampliação não reflete apenas um crescimento real desses agrupamentos, mas principalmente mudanças técnicas.
De acordo com o instituto, o aumento está associado ao aperfeiçoamento das ferramentas de mapeamento — como imagens de satélite de alta resolução — e à melhoria da metodologia aplicada na classificação territorial. O mapeamento também vai além dos limites político-administrativos, incorporando a forma como moradores vivem, utilizam e nomeiam seus espaços.
Felipe Leitão, gerente de Malha e Ordenamento Territorial do IBGE, destaca que o reconhecimento dessas localidades amplia a compreensão sobre a distribuição da população e reforça o caráter social desses espaços: “As localidades não existem somente como categorias geográficas e estatísticas oficiais, mas como espaços de vida cotidiana e de significação social”.
Diferenças regionais marcantes
Os dados revelam fortes contrastes entre as regiões brasileiras. Sul e Sudeste concentram a maior parte das áreas classificadas como urbanas — cidades, vilas e núcleos urbanos.
Já Norte e Nordeste lideram em número absoluto de povoados e lugarejos, evidenciando a permanência e diversidade do mundo rural nessas regiões. Também são elas que abrigam os maiores volumes de localidades indígenas e quilombolas.
O Censo 2022 já havia apontado a existência de mais de 8,4 mil localidades quilombolas e cerca de 8,5 mil indígenas no país.
Importância prática e estratégica
O IBGE afirma que o detalhamento dessas informações é fundamental para áreas como logística, infraestrutura, turismo, distribuição de serviços de saúde e educação, além de ações de conservação ambiental. O levantamento também reforça a base para pesquisas acadêmicas e para o desenvolvimento e monitoramento de políticas públicas.
Segundo o instituto, o mapeamento atualizado contribui para uma visão mais precisa da complexidade social e territorial brasileira, ampliando o conhecimento sobre como vivem e se organizam as populações espalhadas pelo país.
