Brasil condiciona exploração de minerais críticos à industrialização no país, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (24), em Maputo, capital de Moçambique, que o Brasil não aceitará ser apenas exportador de minerais críticos. Segundo ele, países interessados nesses recursos terão de instalar fábricas e desenvolver cadeias produtivas em território brasileiro.
Os minerais críticos são insumos estratégicos para setores como energia limpa, baterias, turbinas eólicas, painéis solares e eletrônicos. A crescente demanda global, especialmente de países como os Estados Unidos, ampliou o interesse internacional sobre as reservas brasileiras.
Durante um fórum com empresários brasileiros e moçambicanos, Lula defendeu que nações detentoras desses recursos definam modelos de exploração que favoreçam a industrialização interna.
“Não vamos ser exportadores dos minerais críticos. Se quiser, vai ter que industrializar no nosso país para que o nosso povo possa ganhar esse dinheiro”, declarou. O presidente afirmou ser “urgente” que países ricos nessas matérias-primas adotem políticas soberanas.
“Ou aproveitamos as riquezas que Deus nos deu e fazemos disso riqueza para o nosso povo, ou veremos sempre os mesmos países cavando buraco no nosso país e levando nossos minérios, deixando fome e pobreza”, disse.
A visita a Moçambique ocorre após a participação de Lula na cúpula do G20, na África do Sul, onde ele já havia destacado a relevância dos minerais críticos para tecnologias de ponta e para a transição energética. Segundo o governo brasileiro, o setor de energia respondeu por 85% do crescimento da demanda global por esses minerais em 2024.
Estabilidade como condição para investimentos
Lula também reforçou que estabilidade é essencial para atrair investimentos estrangeiros. Segundo ele, "paz, tranquilidade e democracia" são pilares para o crescimento econômico.
O presidente listou cinco tipos de estabilidade que governantes precisam oferecer para garantir confiança: política, econômica, fiscal, social e previsibilidade.
“Ninguém vai investir num país que tem uma guerra a cada três meses”, afirmou.
Título acadêmico em Maputo
Durante a agenda em Moçambique, Lula recebeu o título de doutor honoris causa em Ciência Política, Desenvolvimento e Cooperação Internacional pela Universidade Pedagógica de Maputo. A honraria reconhece a contribuição brasileira à cooperação educacional e científica com o país africano.
Em discurso emocionado, Lula disse sentir-se “voltando para casa” ao visitar a África e defendeu que educação e democracia caminham juntas.
“Não há democracia verdadeira quando o povo não tem acesso ao conhecimento e não há desenvolvimento quando as riquezas se concentram em poucas mãos”, afirmou.
O presidente reiterou que cabe ao Estado garantir igualdade de oportunidades:
“Ninguém pode ser preterido de estudar pelo lugar que nasceu, pela religião que professa ou pela origem financeira da sua família.”
