Motta recebe de Lula projeto do governo sobre aumento do limite do MEI
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| Hugo Mota - Foto: Reprodução / Câmara |
O governo federal deu um novo passo na tentativa de modernizar as regras do Microempreendedor Individual (MEI). Nesta segunda-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, uma proposta que amplia significativamente o limite anual de faturamento da categoria e flexibiliza a contratação de funcionários.
Caso seja aprovada pelo Congresso Nacional, a medida permitirá que milhões de pequenos empreendedores brasileiros permaneçam enquadrados no regime simplificado por mais tempo, reduzindo a necessidade de migração para modelos tributários mais complexos.
A entrega do texto ocorreu durante uma reunião no Palácio do Planalto e representa uma das principais reivindicações de empreendedores e entidades ligadas aos pequenos negócios nos últimos anos.
Novo teto será ampliado em duas etapas
De acordo com a proposta apresentada pelo Executivo, o limite anual de faturamento do MEI será elevado gradualmente.
A previsão estabelece:
- limite de R$ 110 mil por ano a partir de 2027;
- aumento para R$ 140 mil anuais em 2028.
Atualmente, o teto permanece em R$ 81 mil por ano, valor que não acompanha a inflação acumulada nem o crescimento natural de muitos pequenos negócios desde sua última atualização.
Na prática, milhares de microempreendedores acabam ultrapassando o limite atual mesmo mantendo operações de pequeno porte, sendo obrigados a migrar para o regime de Microempresa (ME), que possui obrigações tributárias e contábeis mais complexas.
Especialistas afirmam que a atualização do teto tende a corrigir essa defasagem e permitir que empresas continuem crescendo sem sofrer um aumento abrupto na carga burocrática.
Contratação de mais um funcionário
Outro ponto importante da proposta é a ampliação da capacidade de contratação.
Hoje, o MEI pode manter apenas um empregado registrado.
Pelo novo texto, será autorizada a contratação de um segundo funcionário, medida considerada estratégica para estimular a geração de empregos formais em pequenos negócios.
A mudança poderá beneficiar diversos segmentos, como:
- pequenos comércios;
- salões de beleza;
- oficinas mecânicas;
- restaurantes;
- profissionais da construção civil;
- prestadores de serviços;
- empreendedores do setor digital.
Na avaliação de economistas, a possibilidade de ampliar a equipe sem perder os benefícios do regime simplificado pode incentivar investimentos e aumentar a produtividade das microempresas.
Proposta seguirá para comissão especial
Segundo Hugo Motta, o projeto será encaminhado à comissão especial da Câmara responsável por analisar o tema.
Em publicação nas redes sociais, o presidente da Câmara afirmou que a proposta faz parte das negociações conduzidas durante a tramitação da chamada PEC da jornada de trabalho conhecida como "PEC 6x1".
"Esta matéria faz parte de uma negociação direta que liderei junto à aprovação da PEC 6x1. A Câmara já discute a matéria em comissão especial, incentivando a formalização e promovendo o desenvolvimento econômico", declarou.
Após a análise na comissão especial, o texto ainda precisará passar pelas votações no plenário da Câmara e, posteriormente, no Senado antes de seguir para sanção presidencial.
O que muda para quem é MEI
Se a proposta for aprovada sem alterações, os principais impactos serão:
- aumento gradual do limite anual de faturamento para R$ 110 mil e, posteriormente, R$ 140 mil;
- autorização para contratar até dois funcionários;
- redução da necessidade de desenquadramento precoce do regime MEI;
- estímulo à formalização de pequenos empreendedores;
- incentivo à geração de novos empregos formais.
Embora as mudanças tenham sido bem recebidas por representantes do setor produtivo, elas ainda dependem da aprovação do Congresso Nacional. Até que todo o processo legislativo seja concluído, permanecem em vigor as regras atuais do Microempreendedor Individual.
A expectativa é que o debate ganhe prioridade nos próximos meses, já que a atualização do teto do MEI é considerada uma das principais pautas voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo de pequeno porte no país.
