EUA bombardeiam Irã e acusam país persa de violar cessar-fogo

Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (26) uma nova ofensiva militar contra alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais estratégicos do planeta. Segundo Washington, a operação foi realizada em resposta à suposta violação do acordo de cessar-fogo firmado em 17 de junho, que buscava encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro.

De acordo com o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM), aeronaves americanas atingiram depósitos de mísseis, instalações utilizadas para armazenamento de drones e equipamentos de radar localizados no litoral sul do Irã.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o CENTCOM afirmou que a ação militar ocorreu após o que classificou como uma agressão iraniana contra a navegação comercial na região.

"A agressão não provocada contra a navegação comercial por parte das forças iranianas violou claramente o cessar-fogo", informou o comando militar norte-americano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou o episódio, classificando as ações atribuídas ao Irã no Estreito de Ormuz como uma "violação insensata" da trégua estabelecida entre os dois países.

Irã promete responder

Do lado iraniano, autoridades confirmaram que a cidade costeira de Sirik, localizada a leste do Estreito de Ormuz, foi alvo dos bombardeios americanos.

O Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica declarou que suas forças permanecem em estado de prontidão e prometeu responder ao ataque "no momento e no local que considerar apropriados".

Além disso, o governo iraniano afirmou que conseguiu conter a ofensiva americana, alegando que suas forças frustraram o ataque e obrigaram unidades inimigas a recuar da região.

Evacuação de navios preocupa comunidade internacional

Enquanto a tensão militar aumenta, a Organização Marítima Internacional (OMI) informou que cerca de 2,5 mil marinheiros, distribuídos em 115 embarcações, foram evacuados com segurança do Estreito de Ormuz nos últimos três dias.

Segundo o organismo, o plano de evacuação precisou ser temporariamente suspenso em 25 de junho após um navio cargueiro ser atacado na costa de Omã. De acordo com a OMI, a embarcação navegava fora dos corredores marítimos considerados seguros.

A organização afirmou ainda que mantém negociações com representantes do Irã, de Omã e dos Estados Unidos para restabelecer as condições de segurança na região e permitir a retomada das operações de evacuação.

Irã defende liberdade de navegação

O governo iraniano reiterou que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto ao tráfego marítimo internacional, sem restrições impostas por qualquer país.

Entretanto, Teerã ressaltou que não pode garantir a segurança de embarcações que optem por navegar fora das áreas sob sua jurisdição ou dos corredores considerados seguros.

Acordo de paz buscava reduzir tensões

O atual cessar-fogo faz parte de um acordo composto por 14 pontos, que previa, entre outras medidas, a reabertura do Estreito de Ormuz e um prazo inicial de 60 dias — passível de prorrogação — para que Estados Unidos e Irã negociassem questões mais amplas, incluindo o programa nuclear iraniano.

O entendimento foi firmado após meses de confrontos iniciados em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra instalações iranianas, provocando danos materiais e vítimas civis.

Em resposta, o Irã realizou ataques contra território israelense e bases militares americanas no Oriente Médio. Posteriormente, Israel ampliou sua ofensiva para o Líbano, alegando responder a ações atribuídas ao Hezbollah, grupo aliado de Teerã.

O novo episódio no Estreito de Ormuz aumenta novamente a preocupação da comunidade internacional quanto ao risco de uma escalada militar na região, considerada vital para o comércio global de petróleo e para a segurança da navegação internacional.

Não vá ainda!

Veja o que está em destaque