PGR questiona afastamento de chefes da Polícia Federal e aponta falta de provas concretas

Foto / Divulgação: Andrei Rodrigues


A Procuradoria-Geral da República (PGR) se posicionou contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o órgão argumentou que não existem elementos concretos suficientes para justificar a medida.

A manifestação foi assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelo vice-procurador-geral e por dois subprocuradores-gerais. O documento sustenta que a adoção de uma medida tão rigorosa exige evidências específicas de participação dos investigados em possíveis irregularidades, e não apenas questionamentos sobre a atuação das autoridades.

PGR aponta falta de elementos para justificar afastamentos

No parecer, a Procuradoria argumentou que a posição hierárquica dos dirigentes não é suficiente para responsabilizá-los por eventuais irregularidades. Segundo o órgão, seria necessário indicar de maneira individualizada quais atos suspeitos teriam sido praticados por cada autoridade.

A PGR também alertou para os possíveis efeitos institucionais do afastamento dos dois dirigentes. Na avaliação apresentada ao Supremo, a medida pode ultrapassar os limites da investigação específica e provocar consequências para o funcionamento da Polícia Federal, com reflexos sobre operações e apurações em andamento.

O parecer foi encaminhado no contexto de uma disputa judicial que envolve a atuação da PF e investigações relacionadas ao caso Banco Master.

Como começou a disputa no STF

O afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada foi determinado em 8 de setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero.

Na ocasião, o magistrado apontou suspeitas de monitoramento ilícito e de elaboração de relatórios de inteligência sem a devida autorização do plenário do STF. A decisão atingiu os dois dirigentes da Polícia Federal.

No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração dos dirigentes, alegando riscos para investigações sob sua relatoria. Posteriormente, o presidente do Supremo, Edson Fachin, anulou as decisões anteriores, buscando restabelecer a ordem institucional diante do conflito entre as determinações judiciais.

A controvérsia envolve, entre outros pontos, os limites da atuação dos ministros do Supremo em decisões que afetam a estrutura de comando da Polícia Federal.

Caso Banco Master está no centro das investigações

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e de corrupção de agentes públicos relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a identificação de problemas que motivaram a intervenção da autoridade monetária.

O caso ganhou repercussão nacional por envolver suspeitas financeiras, possíveis conexões com agentes públicos e desdobramentos no Supremo Tribunal Federal.

A manifestação da PGR acrescenta um novo capítulo à disputa sobre o afastamento dos dirigentes da PF. O parecer apresenta os argumentos do Ministério Público Federal contra a medida, mas não deve ser confundido com uma decisão judicial definitiva sobre o mérito das suspeitas investigadas.