Bolsonaro terá atendimento médico integral durante prisão preventiva na sede da PF em Brasília

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) receberá atendimento médico em regime de plantão, realizado por profissionais da Polícia Federal (PF), enquanto permanecer preso preventivamente na Superintendência da PF no Distrito Federal. A equipe médica particular de Bolsonaro também poderá atuar, desde que haja autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado (22), após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco de fuga. De acordo com a decisão, a tornozeleira eletrônica do ex-presidente registrou uma violação às 0h08 do mesmo dia, fato considerado determinante para a decretação da prisão preventiva. A detenção ocorreu por volta das 6h, na residência de Bolsonaro, localizada em um condomínio de Brasília, onde ele cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto. Agora, ficará em uma sala de Estado Maior nas instalações da PF.

A ordem de prisão preventiva não tem relação com o cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses à qual Bolsonaro já foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Os prazos recursais ainda estão em curso. Apenas após o trânsito em julgado é que poderá ser expedida ordem definitiva para cumprimento da pena em regime prisional.

Risco de fuga e interferência externa

Além da violação da tornozeleira, Moraes destacou que uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente à casa do pai representava risco à ordem pública e à efetividade da prisão domiciliar. Para o ministro, o ato reproduzia o mesmo padrão de ações de apoio utilizadas pelo grupo político do ex-presidente para gerar confusão, tumulto ou vantagens indevidas.

O ministro também registrou que a proximidade do condomínio onde Bolsonaro reside com o Setor de Embaixadas Sul — cerca de 13 quilômetros — permitiria acesso rápido a representações diplomáticas. O histórico recente do ex-presidente reforçou esse entendimento: ele passou duas noites na Embaixada da Hungria, em 2024, e chegou a discutir uma possível fuga para a Embaixada da Argentina, onde buscaria asilo.

Moraes ainda mencionou casos de aliados próximos, como os deputados Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, que deixaram o país para evitar a Justiça, apontando esse comportamento como indicativo de risco concreto de fuga por parte do ex-presidente.

Audiência marcada para domingo

Bolsonaro será ouvido em audiência de custódia neste domingo (23). A prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). A medida não possui prazo determinado e, segundo o STF, visa garantir a ordem pública, impedir interferências nas investigações e evitar tentativas de evasão.

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